Através da chuva

RATSO = maior personagem da história do cinema.

RATSO = maior personagem da história do cinema.

Ontem revi Midnight Cowboy. Que puta filme. O mais impressionante ainda é o fato dele ter sido feito há quarenta anos. Eu acho ousado até hoje, imagina no fim da década de 60.

Lembrei que, ao assistir pela primeira vez, num VHS surrado tirado da videoteca da faculdade, achei meio idiota. Hm, um cara vem do interior e vira garoto de programa e o filme acaba. Meses depois, discutindo com outras pessoas, fui pouco a pouco percebendo a intensidade da história, principalmente o vínculo fraterno que une os dois protagonistas.

Tem filmes e livros que até podem ser lidos quando somos mais jovens, mas que certamente precisam de uma revisão mais tarde. Já descobri lixos horrendos que considerei geniais no passado, mas o gosto de uma obra-prima só melhora com a passagem do tempo. Midnight Cowboy é um exemplo perfeito, que certamente apreciarei com prazer redobrado daqui mais uma década.

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Música para o fim-de-semana


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Björk tapeada

Björk anuncia o fim da Islândia

Björk anuncia o fim da Islândia

Muita gente conhece o lado documentarista do João Moreira Salles. Só que a outra faceta dele, bem menos destacada, é tão ou mais talentosa: o cara é provavelmente um dos melhores escritores que existem nesse país.

Com uma verve jornalística impagável, destaco este artigo brilhante sobre a quebra da Islândia. Não lembro de ter lido recentemente texto de tanta qualidade em qualquer revista, seja online ou offline.

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Valor agregado

Vista do rio Spree, em Berlim

Vista do rio Spree, em Berlim

Viajarei para a Europa novamente. Encontrarei minha esposa por lá no meio do ano. Uma coisa que me incomoda um pouco é a reação da maioria das pessoas. Alemanha? Ui, que chique.

Acho estranho tanta gente associar viagens internacionais a gastos exorbitantes. É uma reação natural, perfeitamente admissível. No entanto, não resiste a uma análise um pouquinho mais ponderada. Sem números, só conceitos e alguns fatos.

Primeiro: algumas vezes é mais caro viajar para o nordeste do Brasil, saindo do Rio Grande do Sul, do que ir a Miami, por exemplo. Faça as cotações. Se você viajar fora de temporada, lá por outubro, ficará surpreso em ver a diferença absurda no preço dos bilhetes. Pode custar a metade do que o mesmo trecho vale em dezembro, por exemplo. Se comprar com uns seis meses de antecedência, então, nem se fala. Isso é algo importante a se considerar quando se vai sair do país.

Segundo: tenho certeza absoluta que 90% das pessoas gastam mais passando férias em Santa Catarina do que eu gastarei em outro continente. Se alugar uma casa em alta temporada, então, nem se fala. Claro, depende-se de hotéis baratos e gentileza alheia para não deixar todas as posses no Velho Mundo. Hospedagem é sempre a fatia mais cara de uma empreitada dessas, por isso ter contatos quentes e indicações prévias pode cortar seus custos dramaticamente.

Numa outra analogia que expus a um amigo, é mais ou menos o seguinte: pode-se gastar 50 reais num boteco fuleiro tomando cerveja podre e comendo porcaria, enquanto se gasta  27 reais num bar chique tomando só Guinness e Eisenbahn. Óbvio, não é a mesma quantidade avassaladora de álcool do primeiro caso, mas é só para ilustrar como às vezes se deixa de fazer algo de antemão porque é “caro”.

Como quase tudo na vida, é uma questão de prioridades. Se você se sente feliz gastando 5000 reais em uma quinzena em Capão da Canoa, ótimo. Só não deixe de fazer coisas que você quer por ranço prévio ou por achar que é coisa de gente milionária. É possível que você esteja cometendo um grande equívoco.

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Avaliação Sunga

Tenho um bilhete manuscrito com o título acima. Inclui também uma data e horário, além de um valor que fecha o texto. Se isso estivesse perdido na mesa de qualquer pessoa, eu certamente teria um colapso de tanto rir.

O papel traz instruções para que eu possa riscar uma das metas de 2009, que é voltar a fazer academia e/ou nadar. Como ainda estou fazendo exames para determinar se meu ombro realmente está esfarelado para as piscinas, começarei apenas com os ferros. De volta a 2002, onde pesava os mesmos 77 quilos, só que com uns 9 a menos de gordura.

Esperança, teu nome é supino.

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Factóides sortidos

Estava dirigindo ontem pela BR-101 que, no trecho entre Terra de Areia e Osório, é uma das estradas mais bonitas que há. Enormes vales cheios de figueiras, rios e lagoas, plantações de banana na encosta de morros cobertos por nuvens e raios esporádicos de sol. Sempre fico feliz quando opto por seguir por ela, porque jamais me decepciono com os contornos da paisagem.

Encostamos no pior restaurante do universo, onde comi um salgado assado de carne totalmente murcho. Como toda parada de viagem, o café era adoçado porque é de beira de estrada, declaração que veio da boca da própria atendente. Gostei da honestidade e nem me incomodei, até porque estavam à venda um boné com a inscrição CHICAGO que trazia uma imagem da estátua da liberdade ilustrada. Mais fantástica ainda era uma sacola azul com os dizeres GRÊMIO CAMPEÃO BRASILEIRO 2005. Ápice do realismo fantástico.

Big-muff.org não existirá mais. Todo mundo deve cair aqui a partir de agora. Mesmo com redirecionamentos automáticos, acho bom atualizar seus favoritos e/ou feeds.

Esse é o novo começo. 2009 promete, vindo de um 2008 absolutamente cheio de novidades. E já começou.

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Estrada

estrada

Acho que tudo que eu gostaria de dizer sobre The Road já foi feito pelo Firpo. Também terminei e imediatamente tive vontade de reler. Não o fiz porque quero digerir a experiência pelos próximos meses, e justamente porque quero deixar os personagens vivendo sem a minha presença pelo maior tempo possível.

Em uma passagem, pai e filho encontram novamente conforto depois de sabe-se lá quantos dias vivendo ao relento. Fugindo de intempéries naturais e de canibais que também tentam continuar sobrevivendo num planeta desolado. Com a imersão na história, não deixa de ser um grande alívio saber que os dois podem, depois de muito tempo, fazer uma refeição de novo. Tomar banho quente. Dormir numa cama.

Esse conforto é sentido na pele, e se torce para que jamais saiam do esconderijo e passem o resto dos seus dias em relativa segurança. Mas como eles, também percebemos que aquilo é ilusório. A qualquer hora alguém pode encontrá-los. E isso significaria morrer encurralado. Com a mesma dor, incentivamos que continuem a fuga, em busca de um litoral que pode nem mesmo existir. Para um futuro incerto e arriscado. Mas para uma tentativa, o que já é muito quando se esvaziam as esperanças.

Não há espaço algum para redenção. Agir certo o quanto for possível. Com compaixão. E continuar andando.

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E o ordenado?

Sempre que alguém perguntar afinal, no que tu trabalha, mesmo?, vou mandar esse artigo. Ver desenvolvedor de interfaces.

Agora é imprimir e colocar uma cópia na carteira.

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Réplica a Agatha Christie e ao Realismo Mágico

Depois das 20 cabeças de carneiro expostas à beira do Guaíba, talvez alguém achasse razoável aparecer uma mãe de santo morta a facadas na Restinga.

Nenhuma ligação entre os dois fatos escabrosos, mas viver em Porto Alegre está cada vez mais proporcionando um experiência única do ponto de vista tragicômico-surreal da coisa. Nem vou mencionar os buracos que se auto-regeneram ad infinitum, porque daí alguém já vai achar que estou inventando.

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Pudim no ar

Quem mora em Porto Alegre já deve estar abismado com a umidade colossal que se abateu por aqui. Neblina, coisas secas aparecendo molhadas, coisas molhadas que jamais secam. É o padrão anual neste pântano-cidade.

Só que existe uma coisa que vem me preocupando bastante: livros. Alguns estão começando a manchar. Outros, mesmo com capa dura, claramente estão com as páginas amassando sozinhas.

Pergunta: alguém sabe e toma medidas preventivas contra umidade em suas bibliotecas? Aqui em casa compramos desumidificadores para colocar nas prateleiras (esses de supermercado), mas não boto muita fé que vençam a batalha sozinhos. Achei algumas recomendações pelo Google (trocar os livros de lugar periodicamente, evitar colocá-los perto demais um do outro, etc), mas gostaria de conhecer mais algumas opiniões por aí.

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