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	<title>Bruno Galera &#187; Elocubrações aleatórias</title>
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		<title>Anotações do deserto</title>
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		<pubDate>Sat, 14 Mar 2009 12:48:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bruno Galera</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Elocubrações aleatórias]]></category>
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		<description><![CDATA[Mais um filme de quarenta anos atrás que expressa conflitos absolutamente contemporâneos, Lawrence da Arábia valeria só pelas paisagens e a atuação absolutamente fora de série de Peter O&#8217;Toole, encarnando com perfeição a bizarrice do personagem com toques de androginia e loucura que impressionam até hoje. A afetação, a sede de sangue adquirida pelos feitos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_85" class="wp-caption aligncenter" style="width: 421px"><img class="size-full wp-image-85" title="Lawrence da Arábia" src="http://brunogalera.com/wp-content/uploads/2009/03/lawrence-of-arabia-19.jpg" alt="&quot;Ano do Brasil na França é pra lá&quot;." width="411" height="186" /><p class="wp-caption-text">&quot;Ano do Brasil na França é pra lá&quot;.</p></div>
<p>Mais um filme de quarenta anos atrás que expressa conflitos absolutamente contemporâneos, Lawrence da Arábia valeria só pelas paisagens e a atuação absolutamente fora de série de Peter O&#8217;Toole, encarnando com perfeição a bizarrice do personagem com toques de androginia e loucura que impressionam até hoje. A afetação, a sede de sangue adquirida pelos feitos de guerra impensáveis e o mistério da obsessão pelo deserto formam a tríade que conduz o filme muito além do simples registro de um importantíssimo momento histórico.</p>
<p><a href="http://www.tcm.com/mediaroom/index.jsp?cid=21891">Mas é um diálogo entre Lawrence e o príncipe Feisal (Anthony Quinn)</a> que não sai mais da minha cabeça e que, eventualmente, serve para baixar a bola de quem tem essa mania de exaltação da miséria alheia (mito do bom selvagem pós-moderno). Quando surgiu no filme, lembrei direto do movimento <em>favela chic</em>, de filósofos celebrando a ruína da sociedade brasileira como <em>mistura perfeita de povos</em>, etc, etc.</p>
<p>Imagino que para certos intelectuais que usam gravata borboleta, ouvir alguém dizendo que <em>deserto é um lixo, nós árabes amamos água e verde por todo o lado </em>seja tão impactante quanto descobrir que, no Brasil, <strong>ninguém gosta de morar numa favela</strong>.</p>
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		<title>Ska acústico norueguês, letras de protesto em aramaico</title>
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		<pubDate>Mon, 02 Mar 2009 01:23:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bruno Galera</dc:creator>
				<category><![CDATA[Elocubrações aleatórias]]></category>
		<category><![CDATA[albergue espanhol]]></category>
		<category><![CDATA[folclore]]></category>
		<category><![CDATA[manu chao]]></category>
		<category><![CDATA[multiculturalismo]]></category>

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		<description><![CDATA[O que vem me tirando do sério com cada vez mais intensidade: multiculturalismo de butique. Necessidade de se mostrar um ser globalizado, que transcende nacionalidades, que experimenta de tudo e ama tudo o que é folclórico. Viver um trilhão de experiências sem se aprofundar em nenhuma, fatalmente transformando-se numa borda de catupiry humana: um rolo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O que vem me tirando do sério com cada vez mais intensidade: multiculturalismo de butique. Necessidade de se mostrar um ser globalizado, que transcende nacionalidades, que experimenta de tudo e ama tudo o que é folclórico. Viver um trilhão de experiências sem se aprofundar em nenhuma, fatalmente transformando-se numa borda de catupiry humana: um rolo de massa inchada, com um creme branco que pode ser requeijão, maizena ou qualquer outra coisa terrível que sobrepuja o simples sabor de uma pizza. O importante, afinal, é a borda.</p>
<p>Parece-me um fenômeno tipicamente europeu, francês mais ainda, o de querer participar e entender absolutamente tudo que ocorre no mundo. Essa chacrinha de &#8220;uhu-surfar-na-pororoca-dançar-no-pelô-oficina-de-batucada-morei-uma-semana-em-Bornéo-uso-um-chapéu-de-lhama-só-como-orgânico-Manu-Chao&#8221; era algo esperado de estrangeiros deslumbrados com o ziriguidum, mas agora virou tônica de terceiro mundo, também. E dê-lhe argentinos de sandália de couro tocando pandeiro no aeroporto e enquanto cantam bossa nova (nenhuma relação, mas fato verídico).</p>
<p>É isso que me impede de ler livros sobre um imigrante lituano que casa com uma amish de Nebraska e perde o pai num atentado em Mumbai. Pode ser um ótimo texto, uma narrativa singular, mas o que se destaca sempre é a <em>tradução soberba de um mundo sem fronteiras</em>. Quando um filme é uma porcaria com <em>um final surpreendente</em> ou <em>dimais, filmado de trás para a frente</em>, coço a cabeça e tento em vão entender como uma trucagem qualquer pode causar tamanha admiração. O mesmo se aplica à literatura e consequentemente à vida, e tentar me convencer que algo deve ser experimentado por causa de elementos <em>que te farão ver o mesmo mundo por outro ângulo</em> fatalmente fracassará.</p>
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