Falando em Praga

por Bruno Galera

Praga vista de cima
Praga vista de cima

Praga é uma belíssima cidade com mais carga histórica do que qualquer um pode desejar. Os prédios, gigantescos e esplendorosos; a comida e a cerveja, sensacionais e bastante baratos, levando-se em conta a média européia. É um destino imperdível, ponto.

No primeiro dia, fazia um calor de Porto Alegre no seu auge: trinta e tantos, mas com uma umidade que te faz transpirar só de botar o pé na rua. Tudo ficou mais ameno depois de uma chuvarada que vimos se formar nos altos do imenso castelo e da catedral cravados no topo da cidade medieval.

Ficamos num excelente albergue bem no meio do centro histórico, a uma distância ridícula dos principais pontos de interesse turístico. Tudo coberto nos dois primeiros dias, com viajantes de todas as nacionalidades imagináveis apinhando as ruas, restaurantes e monumentos. Algumas vezes era dureza de se locomover, com tanta gente e flashes pipocando de todos os lados. A capital tcheca é atualmente um dos destinos mais visados da Europa. É quase impossível dobrar uma esquina sem ouvir alguém falando português.

Tivemos a sorte de encontrar uma exposição do Damien Hirst na não menos fabulosa galeria Rudolfinum. O prédio é inacreditável, com salas gigantescas e um silêncio aterrador. Sempre quis conferir de perto o trabalho do Hirst, que é ultra hypado atualmente e meio polêmico com seus bichos dentro de tanques de formol. A realidade superou minha expectativa, e saí extasiado. Considero que tenha sido uma das melhores coisas que já vi em arte contemporânea, junto com o Jorge Macchi (que esteve na Bienal do Mercosul).

Respeitei o legado de Kafka e não aceitei entrar em nenhum dos dois museus dedicados a ele. Cheguei a pisar na entrada de um deles, mas farejei o embuste em tempo hábil de não torrar minhas preciosas korunas em caça-níqueis do tipo. É sempre bom  estar atento às armadilhas para turistas: na dúvida, caminhe aleatoriamente e sem rumo por cinco horas seguidas e estará se divertindo o suficiente.