Diário do padre irlandês

por Bruno Galera

Hoje participei da minha primeira prova de corrida desde que comecei, aos trancos e barrancos, meus treinos amadores em dias aleatórios da semana. Primeiro, três vezes por semana na esteira da academia. Depois, comprei um tênis decente e fui para a rua, experiência infinitamente superior em todos os sentidos.

Incentivado por um amigo, me inscrevi para o trajeto de 5km, e tratei de pôr em prática meu objetivo primordial: chegar vivo ao fim do percurso. Parado há mais de dois anos em atividades aeróbicas, todo cuidado é pouco.

O resultado foi melhor do que esperava. Cheguei dois minutos abaixo do tempo que fiz no meu último treino, provavelmente motivado pelo fato de que eu não me arrastava no asfalto como esperava. Ultrapassar um monte de gente deve ter algum efeito psicológico que me fez seguir adiante um pouco mais determinado que de costume.

O evento em si foi ótimo, com umas 3 mil pessoas participando. Entre diletantes como eu e o pessoal dedicado ao ofício, identifiquei a nova seita dos grupos de corrida. Não generalizo e até considero participar de um desses para melhorar meu treinamento, mas me parece por demais bizarro o Orkut vivo que se tornam esses agregados. Claramente alheios ao esporte em si, centenas estavam lá apenas para ser vistos por sabe-se lá quem. Não censuro quem encontra conforto social dessa maneira, só acho meio esquisito. Mas enfim, eu sou o narigudo que estava de bermuda até o joelho e com o número de participante colado na camiseta na altura do pescoço.