Violento mocotó

por Bruno Galera

Finalmente um tempo propício a uma boa terrina de mocotó.

Tive grande bloqueio com o prato até os dezoito anos, se não me engano. Comi na adolescência alguma versão desastrosa que me traumatizou por anos. Posso dizer hoje que é uma das minhas iguarias favoritas. Torço para a época onde os botecos ostentam placas orgulhosas com o famigerado anúncio HOJE TEM MOCOTÓ.

Por alguns anos, sempre me referi ao tradicionalíssimo VIOLENTO MOCOTÓ do Bar Naval, centenário estabelecimento localizado no Mercado Público de Porto Alegre. Trabalhando no Centro, era rica a temporada onde podia combinar com os amigos de traçar um prato fumegante a apenas algumas quadras de distância.

Depois, migrei para o fabuloso Bar e Restaurante Beverlly Hills II, que fica na esquina da Riachuelo com a Bento Martins. Também no Centro, o estabelecimento tem o diferencial de contar com um estupendo (e baratíssimo) buffet de comida caseira durante o resto da semana. Além da presença do proprietário NECO, que não escondia o orgulho de comercializar a deliciosa comida feita por sua mulher. Mais de uma vez fui lá sozinho e tive que apelar para o fiado, o que nunca representou problema para os desprevenidos que eram clientes assíduos do local.

Com a chuvarada de hoje e o frio aumentando, especulo onde deverei saborear o primeiro mocotó do ano. Morando na zona norte e sem carro, estou pensando em achar algo a pouca distância de uma caminhada. Não fracassarei.