Freio torpedo

por Bruno Galera

Relembrei períodos da minha infância no último sábado ao andar de forma frenética com minha bicicleta pela vizinhança. Saí com os dois pneus murchos rumo ao posto, onde sujei minhas mãos de graxa operando a bomba de ar eletrônica que não faz muito sentido. Devidamente calibrado, comecei a dobrar esquinas aleatórias, descendo numa velocidade um pouco acima do recomendado para se manter a integridade física quando não se está trajando um capacete. Vi homens fortes recolhendo poodles do caminho e mães censurando minha presença um tanto ágil em torno de suas crianças. Fato é que guiei com toda segurança que sempre tive, usando os dois freios de forma equilibrada e nunca, jamais descendo da calçada para ficar mais perto dos carros. A arte de driblar arbustos, animais, pessoas, buracos e pular um meio-fio se mantém intacta, mesmo quando não se pratica há anos. Poucas coisas proporcionam tamanha sensação de liberdade e satisfação quanto uma subida impossível de continuar pedalando. É no que eu gosto de acreditar.