
Isabelle Adjani tomou um calor do vampiro
Aproveitando o mote do último post, ontem assisti ao remake de Nosferatu feito pelo Herzog em 1979. Além de treinar meu ouvido nesses primeiros passos de aprendizado da língua alemã, pude notar algumas coisas interessantes.
A primeira é que, mesmo sendo personificado por um ator magistral (Klaus Kinski), o conde Orlock (já Drácula nessa versão) não deixa de parecer caricato na versão colorida. A intenção sempre foi fazer um vampiro mais digno de pena do que rodeado de glamour, mas dispensando o preto-e-branco o diretor correu o risco de nos mostrar um personagem menos assustador. É o que acontece, especialmente no primeiro encontro de Jonathan Harker com o monstro: a cena mais aterradora da versão original fica diluída como se fosse apenas mais um take qualquer.
Uma explicação para essa sensação, além da utilização do filme colorido, é o fato de que Klaus Kinski é um anão perto de Max Schreck. Fisicamente, fica impossível ele obter um resultado assim. Umas tomadas de baixo para cima ajudariam, mas ao ficar ao lado do seu antagonista, o vampiro parece apenas um tiozinho mal vestido.
A outra coisa, que salva o filme de ser apenas um remake passo-a-passo, diz respeito à coragem do mesmo diretor em experimentar com cenas absolutamente novas. Como no Drácula de Coppola, aqui há passagens absolutamente perturbadoras que apelam para psicodelia, pura e simplesmente. O banquete rodeado de ratos na cidade entregue à peste ficará grampeado com uma estaca no meu cérebro por anos (procurarei um vídeo ou foto para ilustrar), assim como a abertura.
Decididamente, uma experiência à parte e que deve ser conferida. Ainda estou para ver um filme ruim do Herzog, e ainda não foi esse.