Ska acústico norueguês, letras de protesto em aramaico
por Bruno Galera
O que vem me tirando do sério com cada vez mais intensidade: multiculturalismo de butique. Necessidade de se mostrar um ser globalizado, que transcende nacionalidades, que experimenta de tudo e ama tudo o que é folclórico. Viver um trilhão de experiências sem se aprofundar em nenhuma, fatalmente transformando-se numa borda de catupiry humana: um rolo de massa inchada, com um creme branco que pode ser requeijão, maizena ou qualquer outra coisa terrível que sobrepuja o simples sabor de uma pizza. O importante, afinal, é a borda.
Parece-me um fenômeno tipicamente europeu, francês mais ainda, o de querer participar e entender absolutamente tudo que ocorre no mundo. Essa chacrinha de “uhu-surfar-na-pororoca-dançar-no-pelô-oficina-de-batucada-morei-uma-semana-em-Bornéo-uso-um-chapéu-de-lhama-só-como-orgânico-Manu-Chao” era algo esperado de estrangeiros deslumbrados com o ziriguidum, mas agora virou tônica de terceiro mundo, também. E dê-lhe argentinos de sandália de couro tocando pandeiro no aeroporto e enquanto cantam bossa nova (nenhuma relação, mas fato verídico).
É isso que me impede de ler livros sobre um imigrante lituano que casa com uma amish de Nebraska e perde o pai num atentado em Mumbai. Pode ser um ótimo texto, uma narrativa singular, mas o que se destaca sempre é a tradução soberba de um mundo sem fronteiras. Quando um filme é uma porcaria com um final surpreendente ou dimais, filmado de trás para a frente, coço a cabeça e tento em vão entender como uma trucagem qualquer pode causar tamanha admiração. O mesmo se aplica à literatura e consequentemente à vida, e tentar me convencer que algo deve ser experimentado por causa de elementos que te farão ver o mesmo mundo por outro ângulo fatalmente fracassará.
Comments
ok, mas deixe o catupiry em paz. hehrsh
“uhu-surfar-na-pororoca-dançar-no-pelô-oficina-de-batucada-morei-uma-semana-em-Bornéo-uso-um-chapéu-de-lhama-só-como-orgânico-Manu-Chao”
MORRI.
Nego, vamos no show do CSS na quinta com nossos amigos travestis filipinos (ns).
Sem contar o fato de que virtualmente todo o comercio de marcas esta’ utilizando o SUPER TRUNFO da globalizacao: como eles fazem referencia a todas nacionalidades e culturas nao precisam nem se dar ao trabalho de diferenciar suas propagandas ao trocar de mercado. Um mundo, um orcamento publicitario. Lixo, teu nome e’ modernidade.
Comprei um TOCA-DISCOS!!!
o multiculturalismo, junto com outras coisas, vai causar a bancarrota da civilização.
sério.
“Ska acústico norueguês, letras de protesto em aramaico”.
boa banda.
saçlkasf
é isso ou ser gaucho.
eahuaehuaehuaeuae
Beijo, Dante.