Estrada

por Bruno Galera

estrada

Acho que tudo que eu gostaria de dizer sobre The Road já foi feito pelo Firpo. Também terminei e imediatamente tive vontade de reler. Não o fiz porque quero digerir a experiência pelos próximos meses, e justamente porque quero deixar os personagens vivendo sem a minha presença pelo maior tempo possível.

Em uma passagem, pai e filho encontram novamente conforto depois de sabe-se lá quantos dias vivendo ao relento. Fugindo de intempéries naturais e de canibais que também tentam continuar sobrevivendo num planeta desolado. Com a imersão na história, não deixa de ser um grande alívio saber que os dois podem, depois de muito tempo, fazer uma refeição de novo. Tomar banho quente. Dormir numa cama.

Esse conforto é sentido na pele, e se torce para que jamais saiam do esconderijo e passem o resto dos seus dias em relativa segurança. Mas como eles, também percebemos que aquilo é ilusório. A qualquer hora alguém pode encontrá-los. E isso significaria morrer encurralado. Com a mesma dor, incentivamos que continuem a fuga, em busca de um litoral que pode nem mesmo existir. Para um futuro incerto e arriscado. Mas para uma tentativa, o que já é muito quando se esvaziam as esperanças.

Não há espaço algum para redenção. Agir certo o quanto for possível. Com compaixão. E continuar andando.