Vitrola no automático
por Bruno Galera
Em alguns instantes, algum de nós dará um grito grotesco.
Tem sido uma constante, pelo menos nos Estados Unidos, shows em que bandas tocam alguns de seus discos mais clássicos na íntegra. Não consigo delimitar que se trata de um fenômeno recente, mas informações sobre esse tipo de apresentação têm abundado o noticiário musical.
Agora que a Pitchfork divulgou o line-up oficial do seu festival, já considero fato consumado que o Slint tocará a obra-prima Spiderland de cabo a rabo. Esse álbum pode não ter gerado, mas canalizou uma miríade tão grande de estilos modernos de rock que fica constrangedor identificar cada banda que bebeu na fonte de músicas como “Washer” e “Breadcrumb Trail”. De cabeça, lembraria de Mogwai e 99% do chamado post-rock, junto com suas vertentes. Para algo ainda mais recente, esse disco insano da banda Liars tem boa parte de seu tema calcado em assuntos queridos a Spiderland. Letra e música.
Pois bem: no mesmo festival, será tocado todo o Daydream Nation. Mesmo que desprezar o Sonic Youth seja uma das cinco heresias fundamentais ao balizamento do meu caráter, reconheço a importância do evento para o mundo do rock em si. E deu, é o suficiente sobre esse assunto.
Sempre totalmente consumido pelas chamas, Will “Bonnie Prince Billy Palace Brothers/Records/Music” Oldham executará, no dia 10 de junho, a sua peça mais maligna. Estou certo de que Martin Landau, travestido de Bela Lugosi, subirá ao palco envolto num polvo de borracha.
Há quatro anos, o The Cure apresentou sua trilogia em duas noites consecutivas. Obviamente em Berlim, Robert Smith (provavelmente calçando galochas) saciou seus fãs com introduções instrumentais de 4 minutos e algumas das linhas de baixo mais memoráveis que já existiram.
O festival All Tomorrow’s Parties, que já delegou sua curadoria a grandes nomes como David Bowie e o próprio Sonic Youth, possui uma corruptela totalmente dedicada a promover concertos de grupos tocando discos seminais do início ao fim. Aliás, no final desse ano, o evento terá uma apresentação do Portishead, que não toca ao vivo há quase 10 anos.

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Loveless na íntegra. Já!