Paracetamol é uma farsa

por Bruno Galera

Uma panqueca fria num buffet caro, em pleno feriado, não poderia ser um bom indicativo. Relevei, resignado, e consumi a refeição até o final. Comi uma torta de bolacha molambenta e voltei para casa, onde passei o dia sem fazer absolutamente nada.

Eis que quarta-feira passo a perceber a chegada da hecatombe. Diarréia, ok. Cansaço, ok. Daí a passar a noite viajando de febre, ir ao hospital na manhã seguinte, tomar Buscopan na veia e perder o casamento da minha prima em Paraty foi realmente inesperado.

A ruína completa de uma gastrointerite é que ela afeta tudo. Parece uma baita gripe, daquelas de derrubar sequóias, mas é ainda pior. Chegou ao ponto de eu tomar dois goles de água e já precisar ir ao banheiro. Dormi toda a tarde de ontem e, quando levantei, só consegui lavar a louça antes de desabar de novo.

Hoje acordei totalmente mendigo e resolvi não dar chance para o visual doente. Tomei banho, fiz a barba, coloquei uma roupa limpa. É incrível como essas pequenas coisas fazem a pessoa realmente se sentir melhor.

Uma coisa que aprendi: jamais comprarei remédio de novo sem pesquisar em pelo menos três farmácias, antes. Paguei R$ 8,90 por um antibiótico na frente da Santa Casa. Hoje, quando saí para dar um volta na quadra, aproveitei para levar mais uma caixinha, necessária para o tratamento de 10 dias. Preço? R$ 6,20. Se existe indústrias que darão rios de dinheiro nos próximos anos, tenho certeza que a farmacêutica vem em primeiro lugar.

Fazendo uma ciranda cronológica, lembro de outra coisa bizarra que aconteceu enquanto eu aguardava o diagnóstico no hospital. Depois de ser muito bem atendido por três médicos diferentes, a chefe estava com meus exames na mão. Pediu para eu esperar numa salinha e foi se reunir com outros colegas. A MEIO METRO DE MIM, só podia ouvir coisas como “tem certeza que uma curva assim não pode representar xxxxxx”? “Não, isso seria um comprometimento hepático muito menos xxxxxx e o que ele tem parece ser xxxxx”.

Jesus Cristo, debatam sobre as possibilidades da minha saúde, mas longe de mim. Quando a mulher retornou, eu já estava me imaginando com um CHAMBRE DE MADEIRA.