De registros

por Bruno Galera

Existe toda uma corrente que é contra álbuns ao vivo. Os argumentos são sempre os mesmos: a qualidade de som nunca é aquilo tudo; a performance perde impacto quando não se está no local, de corpo presente; as bandas nunca conseguem reproduzir 100% o que fizeram em estúdio.

Entendo essas posições, mas adoro discos ao vivo, especialmente os piratas (bootlegs). Acredito que uma grande banda se revela só no palco, com todas as deficiências, erros e imperfeições que existem nesse âmbito. Um registro de show todo produzido e mixado para parecer de estúdio é um paradoxo lamentável, na medida em que esconde a verdadeira problemática: alguns grupos não conseguem causar impacto fora de biombos de acrílico. Alguns soam exatamente como no disco, o que é tão lamentável quanto.

Se não fossem os registros de shows em áudio e vídeo, provavelmente eu jamais veria essa que é uma das apresentações mais arrebatadoras que já conheci. Alguém pode falar que não é tão bem executada quanto no disco, mas para mim esses cinco minutos são a maior prova que existe perfeição. E ela é toda torta e difícil como deve ser.