De registros
por Bruno Galera
Existe toda uma corrente que é contra álbuns ao vivo. Os argumentos são sempre os mesmos: a qualidade de som nunca é aquilo tudo; a performance perde impacto quando não se está no local, de corpo presente; as bandas nunca conseguem reproduzir 100% o que fizeram em estúdio.
Entendo essas posições, mas adoro discos ao vivo, especialmente os piratas (bootlegs). Acredito que uma grande banda se revela só no palco, com todas as deficiências, erros e imperfeições que existem nesse âmbito. Um registro de show todo produzido e mixado para parecer de estúdio é um paradoxo lamentável, na medida em que esconde a verdadeira problemática: alguns grupos não conseguem causar impacto fora de biombos de acrílico. Alguns soam exatamente como no disco, o que é tão lamentável quanto.
Se não fossem os registros de shows em áudio e vídeo, provavelmente eu jamais veria essa que é uma das apresentações mais arrebatadoras que já conheci. Alguém pode falar que não é tão bem executada quanto no disco, mas para mim esses cinco minutos são a maior prova que existe perfeição. E ela é toda torta e difícil como deve ser.
Comments
Bah, essa PERFORMANCE aí é antológica mesmo. Ouvir no disco já é massa, mas em vídeo é lml. A Beth Gibbons tem TIMIDEZ MÓRBIDA, o que só aumenta a tensão desse show inteiro.
“todas as deficiências, erros e imperfeições que existe”
Opa, corrigi ali, Diogo. Valeu!
Impactante. Nada ver mas voltei no tempo Pink Floyd 1972…
De acordo com o conceito clássico de arte, um de seus requisitos é a aura que tem a unicidade. Desde a época da reprodutibilidade técnica, a “arte da música” são os shows. Pensando assim, cada show diferente, ainda que da mesma banda e do mesmo disco, é uma obra independente.
much respect pelo baixista.
não vi nada de torto nessa excelente performance. vejo, sim, um esforço enorme em soar exatamente como no disco. portanto, NAUM TI INTENDI.
Quase todas as versões desse disco são diferentes das originais, principalmente “Sour Times”. A mais parecida é “Glory Box”, mas mesmo assim o DJ arruína tudo em diversas partes (para a melhor).
Com toda torta eu me referi à Beth Gibbons, morrendo pra ficar em pé e se explodindo pra cantar. Ela deve sair do tom algumas vezes e não tem a consistência da versão do estúdio na voz. Lembro que não soar igual ao disco não quer dizer mudar completamente o arranjo da música.
Uma banda que emula a gravação e que me incomoda é o Interpol. Nos últimos shows o Paul Banks começou a sair um pouco do script e já está CAGANDO nos vocais e se mexendo um pouco, até. Melhorou muito em relação ao passado.
concordo contigo. quem sabe faz ao vivo, e as gravações do ao vivo continuam as melhores pra mim. têm esta aura, que subsiste como alma.
Placebo e Strokes, que pudemos ver de perto, são cagalhonas no sentido de reproduzirem ao vivo o disco.
Tanto no show do Portishead como no do Massive Attack, as guitarras têm presença diferencial com relação aos discos.
entendi, isso foi uma indireta.
hsehshes.
bah, o do Strokes foi mesmo muito fraco. que vergonha, se apresentar daquele jeito depois do Arcade Fire. nunca vi contraste igual.
Jesus do céu, Portishead no Roseland Ballroom é o exemplo perfeito de COMO SE DEVE FAZER algo ao vivo. É algo de chorar, de apreciar, de ficar em choque de tanta complexidade mesmo com um show aparentemente simplista. Espero que eu não tenha viajado.
Provavelmente Muse em Glastonbury (Absolution Tour) chegaria em segundo lugar, mas com um abismo de vantagem pra Beth Gibbons e sua trupe.
E um adendo: “Roads” é de ficar de boca aberta…
nunca ouviram um show do sabbath.
morram.
asçlas
Dante = DEUS
(e Iommi o demônio, claro.)