Considero A Sangue Frio uma leitura terrivelmente enfadonha. Lutei bravamente para chegar até o final do livro e, ao contrário do que costuma acontecer com grandes clássicos que me desafiam, não senti prazer algum ao terminar a última página.
A descrição minuciosa tem o grande dom de me irritar, exceto quando feita com oportunidade. Abomino Terras do Sem Fim por trazer trechos de 10 páginas que falam sobre uma situação absolutamente desinteressante. Foi o que permeou de cabo a rabo minha impressão sobre a obra-prima do Novo Jornalismo. Tive a mesma sensação com o tenebroso A Fogueira das Vaidades. Entretanto, Gay Talese sai-se muito bem em 90% das vezes, com exceção de alguns trechos documentais demais de A Mulher do Próximo (aqueles onde ele fala sobre todos os processos de atentado ao pudor dos tribunais norte-americanos).
Dando mais uma chance ao Capote, fui de Bonequinha de Luxo. É uma novelinha cativante, com narrativa fluida e ótimas marcações de personagens (o gato de Holly Golightly nunca vai sair da minha cabeça).
Para minha agradável surpresa, descubro que, assim como Talese, Truman não era um jornalista, mas na verdade um grande escritor. Defendo essa teoria há algum tempo: todos os idiotas do New Jornalism (incluindo Tom Wolfe) são jornalistas fazendo força para ser escritores e, na minha opinião, falhando miseravelmente. A exceção até agora era o grande, que desde sempre fez literatura (apesar de usar as técnicas de reportagem).
Se a obra considerada máxima pelo próprio autor não me empolga, seus contos são o oposto. Com um realismo naturalista (se é que existe) que lembra muito Tchecov (se é que ele faz isso que eu não sei se existe), as outras histórias contidas em “Bonequinha” são um primor. Técnica, descrição e histórias cativantes.
O destaque é “Uma casa de flores”, sobre uma prostituta haitiana que se casa com um homem que vê pela primeira vez. Seus hábitos mudam completamente, e a vida a dois logo parece não corresponder ao que se imaginava. Perto do final do conto, ela é amarrada a uma árvore pelo próprio marido.
Pouco antes seria impossível imaginar que uma cena tão cruel pudesse se tornar a passagem mais bonita de todo o livro. E é nessa habilidade que reside a maestria de Capote.
não sei se não sou CHUCRO o suficiente, mas tem uns links que não funcionam: “Bonequinha de Luxo” e “o grande”.
e tem um “entretanDo” ali no miolo.
fora isso, o jornalismo consegue ser mais irrelevante do que a literatura. incrível.
saçlafs]fvda]
vai de norman mailer.
:>)
É, os contos são muito bons, e muito melhores que “A Sangue Frio”.