Ontem meu pai me ligou da estrada, dizendo que tinha feito uma escala interesseira em Florianópolis. O motivo, era evidente, só poderia ser uma pilhagem ao mercado público da capital barriga verde. Munido de um isopor de sei lá que tamanho, usurpou reservas de frutos do mar de toda sorte. Nem precisou, como cheguei a sugerir, de um pedaço de costela bovina como moeda de troca: camarões, mexilhões e seus parentes são vendidos a preços ridiculamente baixos. Talvez um quinto dos valores pagos em Porto Alegre, e em qualidade com léguas de superioridade.
Fora de controle, ele e meu tio abriram, uma atrás da outra, ostras cultivadas ainda vivas, que foram consumidas de forma francesa. Arruinei tudo tentando drenar o molusco de algum líquido vital opaco, que vim saber se tratar de um componente indispensável à fruição da iguaria.
Após a entrada magistral, camarões foram impiedosamente flambados no conhaque e embebidos em mares de queijos cremosos de paladar sutil.
Se eu tivesse sido atropelado entre terça-feira e hoje, é provável que da minha mochila fossem cuspidos volumes sobre composição de preços ou gerenciamento de projetos. Estou muito próximo de voltar a estudar, mas a estudar mesmo, como nos tempos do colégio. Exercícios, provas, aquela coisa sincera. Não faço isso desde 1999.
Numa noite dessas, quase pulei da cama para subir na estante e pegar meu livro de matemática do segundo ano, para provar que ainda sei todas as fórmulas de geometria analítica. Não daria certo, e eu provavelmente entraria em apuros por me dar conta que não conseguiria me sair tão bem na única parte de exatas em que tive desempenho acima da média. De mesma forma, algo me diz que tenho que rever com urgência a posição do boro na tabela periódica.
Anteontem, acordei com meu próprio ronco. Só conseguir respirar por uma narina aleatoriamente não era motivo suficiente para eu me interessar pelas minhas adenóides e o desvio de septo.
Não vou me mudar tão cedo, planejo uma viagem grande até meados do ano que vem.
Estou colocando legendas em Paris Texas.
oi?
Oi, CARA.
tá doido.
Bruno é O MELHOR. :~