Calavera
por Bruno Galera
Hoje terminei de ver o que me interessava na Bienal. Fomos lá às 9 da manhã, não havia absolutamente ninguém até umas 11. Perfeito.
Muita coisa me agradou. Mais do que em todas as edições. Gosto do Amilcar de Castro. Gostei de uma pintura da Sandra Cinto e mais algumas coisas que não anotei o nome.
A sensação de estar dentro do museu vazio, instalação da dupla russa Ilya & Emilia Kabakov, é indescritível. É uma idéia simples e aterradora.
Todas as críticas que li em blogs e jornais citando o fato de “não ser arte” o que é exposto nas bienais nivelam-se à opinião da Martha Medeiros sobre o assunto. Seria só uma pena, se não fosse preocupante.
Comments
não fui à bienal. shame on me.
Vi uma exposição do melhor da arte contemporânea brasileira no MAC, domingo passado. Tinha de tudo, mas o melhor era uma instalação que era simplesmente a projeção ininterrupta de um vídeo com o indivíduo mais homossexual do planeta cantando emocionadamente a música mais homossexual do planeta (alguma canção em inglês que tinha “movie star” na letra), num movimento lento de close, com um efeito de AURA NEON ao redor do sujeito. Fiquei 10 minutos em transe olhando praquilo.
Tinha também uma mesa com um vaso de rosas e um estojo de canetinhas. As pessoas arrancavam uma pétala de rosa, escreviam algo nela e largavam em cima da mesa. Só que isso vinha acontecendo há dias, então tinha uma crosta de folhas podres e em diferentes níveis de decomposição. As palavras que mais encontrei nas pétalas foram “paz” e “cu”.
Tinha vários lances massa. Lembro de uma gravura em especial, mas esqueci o nome do artista.
E tinhas uns lixos completos, como um boneco ridículo subindo uma parede e uma mesa de escritório com computador e tudo mais, isolada por uma fita (SÓ ISSO), e uma mesa cheia de alimentos diversos que estavam lá apodrecendo há dias.
As exposições, sejam em museus ou bienais, ao meu entender não merecem mais uma análise quanto a ser arte ou não. Vale o registro histórico da representação que alcançam. E, lamento, mas ao menos as obras dos Armazéns do Cais estavam pobres quanto a esse papel. Sim, tinham algumas interessantes, mas a ponto de surpreender muito poucas.