Comecei a virar fã de Smashing Pumpkins só no início de 96. Lástima, já que o desconhecimento me fez perder o show histórico do Hollywood Rock, que contava ainda com The Cure, Page & Plant, Black Crowes e Supergrass no cast.
Entretanto, a partir desse momento houve avanços. Por motivos óbvios, voltei a tocar violão. Passei a me interessar genuinamente por música que não fosse metal, rap ou funk melody. A internet, incipiente na minha vida, permitia trocas de informações nunca antes imaginadas. Mandava CDs para os EUA, recebia fitas de São Paulo e cheguei a comprar shows piratas de um cara na Dinamarca que se auto-intitulava “O Repolho”.
Mas eu já falei sobre isso. Mais de uma vez. Só fiz esse parêntese por lembrar de outra curiosidade decorrente dos mesmos acontecimentos.
Depois que comecei a adquirir fitas VHS com shows diversos da banda de Chicago, passei a prestar atenção em algumas coisas. Uma delas era que nada do que os malditos faziam na guitarra correspondia a qualquer coisa que meu professor ultra-católico me ensinava. Não que eu me arrependesse das análises dos songbooks do agora falecido mestre Almir Chediak. Mas é que naquele tempo eu estava dando mais valor a riffs e harmônicos artificiais do que aos iniciados estudos de flamenco (que não agüentei nem um mês, algo de que me arrependo profundamente).
O outro detalhe é o seguinte: adquiri uma obsessão por tentar descobrir o que os membros das bandas conversam no palco. Antes, depois ou entre as músicas, não interessa. Minha curiosidade é perene, e por algum motivo acho de suma importância saber o que sai da boca dos músicos quando não estão cantando ou com os olhos fixos no instrumento.
Não tenho nenhum método, nunca aprendi leitura labial. Mas alguns sinais dão pistas sobre o que pode estar acontecendo.
Sobre o próprio Billy Corgan, é fácil ver que quase sempre ele fala algo sobre a performance em questão. Sempre que ele erra a letra (e isso ocorre em todos os shows), começa a rir sem parar no microfone. Invariavelmente, vai até o James ou a D’Arcy e começa a cochichar algo no ouvido deles. Isso também acontece quando um deles erra alguma coisa grosseira. Não deixam pra conversar isso depois ou pra fechar o pau no camarim por causa de um vocal fora do tom, como se pode ver no documentário “Year of the Horse”, do Neil Young. Tudo é tratado na hora que acontece, e isso parece promover alguma espontaneidade no circo todo.
No EP “Peel Sessions”, de 91, no meio do interlúdio silencioso de “Siva”, os microfones captam a baixista dizendo que tropeçou no cabo. Não se escuta nada de estranho na melodia, mas mesmo assim Corgan conta até quatro para a banda entrar na quebradeira do final. Aqui pode-se ouvir o que eles falam, mas nunca assisti essas imagens. Mesmo assim, o que mais me marca quando lembro dessa música é justamente esse pequeno deslize, que vaza por pouco aos ouvidos mais atentos.
Não sei até que ponto isso pode ser considerado uma perversão.
Me arrependo à morte de não ter ido neste Hollywood Rock também, pelo mesmo motivo.
Quando assisti um show deles, anos mais tarde, já eram uma ex-banda.
eu acho massa a tossida tuberculosa em “who loves the sun” do velvet underground, e o “descúlp” do rodrigo amarante em “mais uma canção”, depois de esbucetear uma nota no solo de escaleta.
tem outros exemplos, mas só lembrei esses dois de estúdio porque, afinal, erro de estúdio é ainda melhor.
eu acho massa a tossida tuberculosa em “who loves the sun” do velvet underground, e o “descúlp” do rodrigo amarante em “mais uma canção”, depois de esbucetear uma nota no solo de escaleta.
tem outros exemplos, mas só lembrei esses dois de estúdio porque, afinal, erro de estúdio é ainda melhor.
sim, deve ser algum tipo de perversão.
entendo mais ou menos esse tipo de perversão.
eu fui a todos os hollywood rock desde 88. à exceção da whitney houston, simply red e uns brasileiros, vi todos os shows.
em 96, o do black crowes foi excepcional.
O show dos Pumpkins no Hollywood Rock foi o melhor show que eu já vi na vida.
Malditos :~~
Tenho a fita lá em casa, cheia de poeira. Começaram com “Where Boys Fear to Tread”. Histórico ver a Apoteose pulando, mesmo sem conhecer a música.
E a Bizz, sem nenhum sentido, disse que foi um show sem sucessos. Tocaram TODOS OS SINGLES, com exceção dos do “Gish”.
Imprensa musical brasileira.