Hoje participei da minha primeira prova de corrida desde que comecei, aos trancos e barrancos, meus treinos amadores em dias aleatórios da semana. Primeiro, três vezes por semana na esteira da academia. Depois, comprei um tênis decente e fui para a rua, experiência infinitamente superior em todos os sentidos.
Incentivado por um amigo, me inscrevi para o trajeto de 5km, e tratei de pôr em prática meu objetivo primordial: chegar vivo ao fim do percurso. Parado há mais de dois anos em atividades aeróbicas, todo cuidado é pouco.
O resultado foi melhor do que esperava. Cheguei dois minutos abaixo do tempo que fiz no meu último treino, provavelmente motivado pelo fato de que eu não me arrastava no asfalto como esperava. Ultrapassar um monte de gente deve ter algum efeito psicológico que me fez seguir adiante um pouco mais determinado que de costume.
O evento em si foi ótimo, com umas 3 mil pessoas participando. Entre diletantes como eu e o pessoal dedicado ao ofício, identifiquei a nova seita dos grupos de corrida. Não generalizo e até considero participar de um desses para melhorar meu treinamento, mas me parece por demais bizarro o Orkut vivo que se tornam esses agregados. Claramente alheios ao esporte em si, centenas estavam lá apenas para ser vistos por sabe-se lá quem. Não censuro quem encontra conforto social dessa maneira, só acho meio esquisito. Mas enfim, eu sou o narigudo que estava de bermuda até o joelho e com o número de participante colado na camiseta na altura do pescoço.
Vi uma matéria no Jornal Hoje sobre a cidade de Haifa, em Israel. Sempre tive vontade de conhecer o país, mas os tais jardins Baha’i (19, no total) me deixaram muito impressionado. Essas milhares de plantas em camadas nos morros, com uma cidade enorme lá embaixo quase caindo dentro do mar, me parecem uma visão espetacular digna de ser conferida.
O site oficial tem mais informações. É um destino mega turistóide que ainda assim parece valer muito a pena.
Finalmente um tempo propício a uma boa terrina de mocotó.
Tive grande bloqueio com o prato até os dezoito anos, se não me engano. Comi na adolescência alguma versão desastrosa que me traumatizou por anos. Posso dizer hoje que é uma das minhas iguarias favoritas. Torço para a época onde os botecos ostentam placas orgulhosas com o famigerado anúncio HOJE TEM MOCOTÓ.
Por alguns anos, sempre me referi ao tradicionalíssimo VIOLENTO MOCOTÓ do Bar Naval, centenário estabelecimento localizado no Mercado Público de Porto Alegre. Trabalhando no Centro, era rica a temporada onde podia combinar com os amigos de traçar um prato fumegante a apenas algumas quadras de distância.
Depois, migrei para o fabuloso Bar e Restaurante Beverlly Hills II, que fica na esquina da Riachuelo com a Bento Martins. Também no Centro, o estabelecimento tem o diferencial de contar com um estupendo (e baratíssimo) buffet de comida caseira durante o resto da semana. Além da presença do proprietário NECO, que não escondia o orgulho de comercializar a deliciosa comida feita por sua mulher. Mais de uma vez fui lá sozinho e tive que apelar para o fiado, o que nunca representou problema para os desprevenidos que eram clientes assíduos do local.
Com a chuvarada de hoje e o frio aumentando, especulo onde deverei saborear o primeiro mocotó do ano. Morando na zona norte e sem carro, estou pensando em achar algo a pouca distância de uma caminhada. Não fracassarei.
Fracassei miseravelmente e importei textos pra dentro dessa instalação do Wordpress pretensamente nova. Logo, estão disponíveis no arquivo da coluna direita algumas coisas a mais, que começam em 2002. Uôu, se alguém se importar.
Ótima banda, esse Twilight Singers. Projeto de Greg Dulli, ex-Afghan Whigs. Sei que era um tanto cultuado por ser da laia da Sub Pop na década de 90, mas confesso que nunca prestei muita atenção. Especialmente pela postura cigarreira blasé, mas ok, não preciso ver os caras tocando o tempo todo.
Meio difícil descrever, mas o vocal é bem parecido com dEUS, banda belga também mezzo celebrada na década de 90 (que aliás, possui o belíssimo disco The Ideal Crash). Terrivelmente indie colocar Sub Pop e banda belga num mesmo texto, mas tente relevar.
O disco confirmado dos caras é o Twilight, mas dá pra tirar uma febre no perfil lá do Last.fm. Achei os vídeos deles tocando ao vivo um tanto diferentes do som de estúdio e meio chatos, na verdade. Naquela pilha arrasei fumando e tocando baixo com copo de ceva na mão, então nem irei recomendar nada do YouTube.
Existe uma aproximação com o grande Mark Lanegan, que sempre é um indício de relevância. A propósito dessa dupla, tocam juntos também sob a alcunha de The Gutter Twins e se apresentarão em São Paulo dia primeiro de julho. Iria muito se por lá me encontrasse, e aqui um alguma coisa ao vivo que vale a pena ser conferida:
Relembrei períodos da minha infância no último sábado ao andar de forma frenética com minha bicicleta pela vizinhança. Saí com os dois pneus murchos rumo ao posto, onde sujei minhas mãos de graxa operando a bomba de ar eletrônica que não faz muito sentido. Devidamente calibrado, comecei a dobrar esquinas aleatórias, descendo numa velocidade um pouco acima do recomendado para se manter a integridade física quando não se está trajando um capacete. Vi homens fortes recolhendo poodles do caminho e mães censurando minha presença um tanto ágil em torno de suas crianças. Fato é que guiei com toda segurança que sempre tive, usando os dois freios de forma equilibrada e nunca, jamais descendo da calçada para ficar mais perto dos carros. A arte de driblar arbustos, animais, pessoas, buracos e pular um meio-fio se mantém intacta, mesmo quando não se pratica há anos. Poucas coisas proporcionam tamanha sensação de liberdade e satisfação quanto uma subida impossível de continuar pedalando. É no que eu gosto de acreditar.
Minha cruzada contra médicos que almoçam de jaleco e estetoscópio começou. Mandei o seguinte e-mail para a administração do Hospital São Lucas na última sexta-feira, 24/04:
Boa tarde,
Gostaria de fazer uma reclamação envolvendo a conduta de funcionários deste hospital.
Freqüentemente, almoço no restaurante Vila Olímpica, no Parque Esportivo da PUC. Em todas as oportunidades, é constrangedor perceber médicos adentrando o recinto trajando seus jalecos e, por incrível que pareça, alguns com seus estetoscópios no pescoço.
O próprio restaurante oferece cabides para os jalecos e emite alertas sobre essa conduta, deixando claro se tratar de uma portaria do Ministério da Saúde. A lei existe, mas a educação e a ética profissional deveriam vir antes à mente destes profissionais que tratam da saúde pública. Instrumentos e vestimentas utilizados na interação e inspeção com pacientes não deveriam sair do espaço físico de consultórios e ou salas de cirurgia.
Como cliente do restaurante e também utilizador dos serviços do hospital São Lucas, gostaria de deixar registrada minha reclamação. Se o hospital não providencia armários para que os médicos deixem seus aparatos de trabalho, que ofereça alternativas e uma campanha de conscientização dos menos educados.
Obrigado,
Bruno Galera
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Obviamente, nenhuma resposta até agora. Esperarei até o fim da semana para começar o blitzkrieg. Enchi o saco de tanta demência.
Aproveitando o mote do último post, ontem assisti ao remake de Nosferatu feito pelo Herzog em 1979. Além de treinar meu ouvido nesses primeiros passos de aprendizado da língua alemã, pude notar algumas coisas interessantes.
A primeira é que, mesmo sendo personificado por um ator magistral (Klaus Kinski), o conde Orlock (já Drácula nessa versão) não deixa de parecer caricato na versão colorida. A intenção sempre foi fazer um vampiro mais digno de pena do que rodeado de glamour, mas dispensando o preto-e-branco o diretor correu o risco de nos mostrar um personagem menos assustador. É o que acontece, especialmente no primeiro encontro de Jonathan Harker com o monstro: a cena mais aterradora da versão original fica diluída como se fosse apenas mais um take qualquer.
Uma explicação para essa sensação, além da utilização do filme colorido, é o fato de que Klaus Kinski é um anão perto de Max Schreck. Fisicamente, fica impossível ele obter um resultado assim. Umas tomadas de baixo para cima ajudariam, mas ao ficar ao lado do seu antagonista, o vampiro parece apenas um tiozinho mal vestido.
A outra coisa, que salva o filme de ser apenas um remake passo-a-passo, diz respeito à coragem do mesmo diretor em experimentar com cenas absolutamente novas. Como no Drácula de Coppola, aqui há passagens absolutamente perturbadoras que apelam para psicodelia, pura e simplesmente. O banquete rodeado de ratos na cidade entregue à peste ficará grampeado com uma estaca no meu cérebro por anos (procurarei um vídeo ou foto para ilustrar), assim como a abertura.
Decididamente, uma experiência à parte e que deve ser conferida. Ainda estou para ver um filme ruim do Herzog, e ainda não foi esse.