2011 musical

Imitando o exercício musical do Henrique, mas em bem menos detalhes, eis o passou pelos meus ouvidos com maior frequência em 2011.

Discos

1 Tocar
106
2
88
3
69
4 Tocar
67
5
65
6
61
7 Tocar
60
8
59
9 Tocar
55
9 Tocar
55
11 Tocar
54
12
53
12
53
14
52
15
49
15
49
17
46
17
46
19
44
20
40

Como é fácil perceber pela lista acima, cada vez menos tenho ouvido música “nova”. Mas 2011 teve bons álbuns que certamente seguirão figurando na minha playlist do ano que vem. É o caso do “Let England Shake”, da PJ Harvey; “Whole Love”, do Wilco; “Hurry Up, We’re Dreaming”, do M83 e o “Wasting Light”, do Foo Fighters. Mas para mim o disco do ano é mesmo o “Metals”, da Feist.

Outra coisa facilmente perceptível é que o projeto GOLEIRO BRUNO TOCA WEEZER levou o “Green Album” para o topo com alguns anos de atraso.  E também a derrota nas tags dos meus arquivos, que levaram o famigerado UNKNOWN à sexta posição no ranking.

Artistas

1 Tocar
311
2 Tocar
307
3 Tocar
209
4 Tocar
207
5 Tocar
202
6 Tocar
201
7 Tocar
172
8 Tocar
152
9 Tocar
132
10 Tocar
131
11 Tocar
112
12 Tocar
100
13 Tocar
93
14 Tocar
91
15 Tocar
88
16 Tocar
87
17 Tocar
83
18 Tocar
79
19 Tocar
76
20 Tocar
73

Posição número um novamente entrega a frouxidão moral a que me entrego ao não cuidar bem da minha biblioteca musical. No mais, não foi um ano incomum em termos de gostos ou de novas descobertas: a lista aí de cima é provavelmente o que eu digitaria em três minutos para qualquer questionário que tivesse o campo “música” no meio.

Músicas

1
Weezer – Crab
Faixa preferida
18
2 Faixa preferida
13
2 Faixa preferida
13
2
13
2 Faixa preferida
13
6
12
7
11
7 Faixa preferida
11
7
11
10 Faixa preferida
10
11
9
11
9
11
9
11 Faixa preferida
9
11 Faixa preferida
9
11 Faixa preferida
9
11 Faixa preferida
9
11 Faixa preferida
9
11 Faixa preferida
9
11
9

Bom, aqui o empate é praticado em quase todas as posições, o que considero um pouco anormal, também. Weezer reinou pleno em 2011 com o Green Album, para desespero de fãs mais ortodoxos. De 2011 mesmo, só “Arlandria”, do Foo Fighters, que realmente achei a melhor música do “Wasting Light”, junto com “Dear Rosemary”.

Para 2012, vou tentar praticar um pouco mais de NOVIDADISMO. O problema é a quantidade de coisas que são lançadas e garimpar o que é decente no meio, o que requer cada vez mais paciência e, claro, um bocado de sorte.

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Sua cidade empática

Estive em São Paulo recentemente e pude conferir Seu Corpo da Obra, primeira individual do artista dinamarquês Olafur Eliasson na América Latina. Já havia conferido o trabalho dele no MoMA da San Francisco em 2007, o que rapidamente fez com que se tornasse meu artista contemporâneo favorito.

O verbo é um tanto constrangedor do meu ponto de vista, mas maravilhar parece ser o grande objetivo de Olafur. Boa parte do tempo parece dedicada ao estudo das cores, conhecimento que acaba se traduzindo em belíssimos exercícios de justaposição e diluição dos tons. Parece também haver uma certa tara por vidro, espelhos e os caleidoscópios, que são a junção de tudo isso numa paleta absolutamente fantástica de amarelos, verdes, vermelhos e azuis.

Olafur Eliasson no Sesc Pompéia

Tentativa de captar sensações no Sesc Pompéia

O aspecto lúdico da obra também é destaque. Ao invés de forçar uma interação estúpida, a intervenção no ambiente costumar ser feita duma maneira simplesmente irresistível para quem passa no local. Exemplo disso é a área de lazer infantil no Sesc Pompéia, onde o artista colocou peças de um jogo de montar que ele mesmo desenvolveu para crianças ficarem pirando livremente em construções dos mais diversos tipos de formas. Não dava para dizer que era uma obra, simplesmente estava integrada aos eventos do ambiente.

Entre todos os trabalhos, o que mais se destacou foi Seu caminho sentido (Your felt path), um imenso galpão cheio de gelo seco onde as pessoas entram e ficam totalmente sem chão. Um passo à frente e não se enxerga mais nada, apesar da claridade proporcionada pela névoa. Alguns riem, outros começam a gritar. Eu fui me escorando numa parede, como se estivesse ficando cego, e a cada esbarrão num vulto que só se materializava a poucos centímetros antes de um impacto me sentia mais angustiado. Mas era uma certa angústia boa, até um alívio, e que repentinamente passava a sugerir um pensamento de que então é assim que deve ser a morte.

Retrato de Bruno Galera (em obra de Olafur Eliasson)

Este sou eu vagando pelo caminho sentido, um pouco mais aliviado (foto por Júlia Berenstein)

Seu Corpo da Obra vai até o dia 08 de janeiro, e eu não consigo fazer outra coisa senão recomendar que você vá. Depressa.

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Habitante Irreal

 

Habitante Irreal, de Paulo Scott

Terminei de ler Habitante Irreal, último livro de Paulo Scott, dentro do avião que me trazia de volta para Porto Alegre depois de um fim-de-semana de peregrinação artística por São Paulo. Os dois fatos pouco ou nada se relacionam, mas de alguma forma estar em trânsito pareceu ampliar o impacto da narrativa consideravelmente.

Já tive tempos mais propensos a resenhas de araque, então apenas me limitarei a recomendar que leiam. Scott escreve muito, e é muita sorte poder ter acesso a um autor tão instigante e talentoso.

[Há um bom texto sobre Habitante Irreal no blog do Sérgio Rodrigues]

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The Circle Married The Line

A essa altura do campeonato, não creio que esse ano eu vá escutar algum disco melhor que o Metals, da Feist. Uma boa resenha no Guardian resume bem a diferença desse para os outros álbuns:  It’s the kind of album on which the most optimistic moment involves a visit to a graveyard.

Há uma porção de músicas fantásticas, mas minha favorita até então é essa:

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Estátuas Escritas

Estive em Dresden duas vezes, mais precisamente em 2007 e 2009. Da primeira vez, apenas uma noite num albergue enquanto descíamos de Berlim até o sul da Alemanha. Ainda assim, foi impactante o suficiente para voltarmos dois anos depois, ficando quase um mês entre idas e vindas a outras cidades.

Pensei em Dresden vendo um post antigo sobre estátuas de escritores, mas que contava com alguns monumentos meio…estranhos, especialmente considerando a origem do autor homenageado e o país onde o monumento foi plantado.

Pois bem: não tem nada de inusitado, mas existe uma bela estátua do Dostoievski em Dresden. Na verdade ela faz todo sentido, já que o escritor correu para lá com a mulher fugindo de credores russos. Existe uma outra bem mais altiva em Omsk, mas gosto desse ar grave e um tanto mais consternado impresso na variante germânica. Claro que é a imagem clichê que se faz dele, atormentado até os ossos, mas me parece uma expressão um pouco mais autêntica do que o puro e simples ar divino. OK, talvez nem tão simples.

Tenho certa resistência com esculturas em geral, mas de alguma maneira as que retratam escritores me fascinam. Parecem sempre fora de lugar.

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No porão

Um belo disco esse tal de Days, da banda Real Estate. O nome pouco original me deixou com um pé atrás, mas vale a pena conferir: melodias excelentes, com guitarras limpíssimas e um reverb de fundo de poço aplicado a tudo sem soar chato. Na verdade o eco se adapta muito bem ao tipo de som, onde cada nota disparada pelas cordas é mais importante do que é cantado, por exemplo. Não que o vocal seja ruim, longe disso, mas o fato é que Days poderia ser todo instrumental e ainda assim seria uma grande feito.

Abaixo o vídeo da canção It’s Real, que foi o estopim para eu ir atrás deste álbum. Grande indicação do meu amigo e companheiro de corridas urbanas, Saulo Szinkaruk.

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Auxiliadora, 14h

[No ônibus da linha Auxiliadora, por volta das 14h desse sábado, trafegando pela Eudoro Berlink].

[Casal desce do ônibus, atravessa na faixa, mas com o semáforo verde para o motorista]

[Motorista avança, freia bruscamente e é muito xingado pelo casal e se defende:]

– NÃO ATROPELEI, NÃO ATROPELEI!

[Créditos]

[Fim]

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Posters

Amo arte de posters. Pena que isso é uma prática vergonhosa ou praticamente inexistente no Brasil.

Veja esse da Feist:

Feist Tour Poster

E esse do Bob Dylan:

Bob Dylan Tour Poster

Agora, se quiser pirar e perder horas, vá de Pearl Jam.

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Rituais de som

Com o lançamento das reedições dos dois primeiros discos do Smashing Pumpkins, me pus a pensar se teriam sobrevivido ao furor adolescente com que consumi a música da banda a partir da segunda metade da década de 90. Ainda gosto muito de ouvir as canções, mas e o discos? E quais álbuns simplesmente se esquece depois de um tempo? E aqueles que, pior ainda, hoje nos causam até mesmo constrangimento por um dia sequer terem sido colocador para tocar?

Vou esperar os discos (sim, físicos) chegarem lá por janeiro para ter uma resposta. A euforia causada pelo lançamento em si já me surpreendeu, vamos ver o que ocorre quando forem abertos e colocados para rodar. Invariavelmente acabarão sendo convertidos em MP3 e toda a razão para a existência de uma remasterização irá por água abaixo. Ou quem sabe isso estimula a compra do famigerado equipamento de som de verdade?

Em entrevista recente, Robert Crumb enfatizou que gosta de ouvir música sozinho, sem nem ao menos utilizar fones de ouvido. É uma atividade que requer atenção, esforço e algum desprendimento. De fato não consigo ouvir nada lendo, por exemplo, mas invejo essa disposição mais sofisticada que algumas pessoas ainda conseguem ter para algumas coisas hoje tão banalizadas.

Quanto à questão inicial, estou disposto a um exercício profundo de análise de catálogo pessoal em busca do que pode ter sobrevivido ao tempo. Talvez seja um bom ritual de resgate misturado com uma bela fogueira.

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O blog vai voltar

E vai ser hoje.

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